Marco tornou a cutelaria a sua profissão em tempo integral há cinco anos. Foto: Gerson Gerloff/Pulsar Imagens

Forja, bigorna, martelos e grandes alicates. Esses são alguns dos itens necessários para dar forma e criar uma faca artesanalmente. A arte de fazer ferramentas domésticas foi inventada pelo homem há séculos, mas a forma manual de criação continua até hoje e reúne apaixonados pelo assunto em feiras e associações.

Marco Borchard, 37 anos, além de ser cuteleiro, nome dado ao profissional que produz facas artesanalmente, é o presidente da Associação Gaúcha de Cutelaria. Atualmente a entidade, criada em 2009, possui em torno de 130 associados de todo o Brasil. Com seu espaço montado em Panambi, Marco afirma que diversas cutelarias nasceram no Rio Grande do Sul e se espalharam pelo Brasil e outros países. “Temos o nosso estado como berço de cutelarias”, diz.

O presidente da associação afirma que, a partir dos anos 1990, a customização de facas começou a crescer. “Eu comecei em 2006 como um hobby e profissão paralela, mas me dedico integralmente a esta área faz cinco anos”, revela. Quando criança, Marco participou de um grupo de Escoteiros e aos 10 anos ganhou a primeira faca.

São muitos os modelos e tamanhos de facas. “Cada artista imprime a sua característica, respeitando as referências específicas e padronizadas”, explica Borchard. Para alcançar perfeição no instrumento é preciso pesquisar muito, o que também ajuda a aprimorar o trabalho. Dependendo do tipo, uma faca elaborada pode levar de 15 a 20 dias para ser feita por um só cuteleiro. As mais simples demoram cerca de dois dias para estarem prontas.

Marco conta que três métodos podem ser utilizados para a criação de uma faca. “A forma básica é por meio do desbaste, tem o modo de forja e a arte damasco”, diz. Na última forma mencionada pelo profissional, se consegue um padrão diferente de faca. O trabalho começa na confecção do aço, em que há a fusão de dois tipos do material, multiplicando as camadas. Após esse processo, o cuteleiro inicia a forja da lâmina.

Os cabos dão o toque final da faca e o material usado também pode ser diferente, conforme o gosto de quem faz ou quem compra. Os cabos confeccionados podem ser de materiais exóticos e nobres, madeira, chifres de cervos da Argentina e Uruguai, onde a coleta é legalizada, pois todos os anos os chifres caem, conforme Marco. Cabos em pedra são menos comuns, pois deixam o item mais pesado.

O presidente da Associação dos Cuteleiros do Rio Grande do Sul diz ainda que os cabos podem ser feitos com ossos de animais extintos. “Com o desgelo eles estão extraindo e comercializando este tipo de material”, comenta. Em relação ao preço, Borchard diz que isso está relacionado ao nome do cuteleiro e o tempo em que ele está no mercado.

Comprar uma faca artesanal pode fazer o interessado desembolsar a partir de R$ 300,00 e chegar até R$ 10.000,00, conforme o material e o cuteleiro produtor. “No encontro que teremos em Montenegro os valores vão variar nessa margem em função da qualidade dos cuteleiros que estarão presentes”, acredita Marco. Ele ainda destaca que a cutelaria é interessante porque é gratificante transformar um material bruto em uma ferramenta que possa ser vendida e com isso sustentar sua família.

“Gosto de ver as pessoas valorizando e adquirindo o meu trabalho. Poder explicar e mostrar para as pessoas sobre esta arte, e ainda poder ajudar alguém a fazer uma faca é algo muito gratificante”, finaliza.

Algumas facas podem ficar prontas somente em 20 dias. Foto: Gerson Gerloff/Pulsar Imagens

Faca gaúcha
O cuteleiro Marco Borchard explica que a faca gaúcha possui detalhes particulares. Ela tem lâmina reta, a ponta é do tipo lança e deve ser construída em uma peça de aço com colarin integral. O encosto do dedo indicador deve ser em formato de S (gavião).

Encontro de Cuteleiros
O 2º Encontro de Cutelaria no Vale do Caí vai ocorrer nos dias 27 e 28 de abril, no CTG Estância do Montenegro, rua José Luís, 1910, Centro. A entrada é gratuita e os visitantes poderão participar de exposições, oficinas de afiação de facas e de forja e comprar o item no comércio de facas e acessórios.

*As fotos que ilustram esta matéria foram cedidas, gentilmente, pelo fotógrafo Gerson Gerloff, representado pela agência Pulsar Imagens. As imagens estão disponíveis em www.pulsarimagens.com.br.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here