Jennifer Brown é daquelas autoras que trata de assuntos polêmicos. Ela fala com adolescentes com uma suavidade única e uma linguagem capaz de prender públicos de todas as idades. Amor Amargo é o segundo livro da autora publicado no Brasil. O primeiro foi A Lista Negra, onde ela trata do bullying.

Em Amor Amargo, o tema principal são os relacionamentos abusivos. Mas, nas entrelinhas, são tratados outros dilemas da vida, como relações familiares e vínculos de amizade. É um texto que prende o leitor do início ao fim.

Eu confesso que às vezes de dificuldade com narrativas em primeira pessoa. Mas, nesse livro, desvendamos o mundo e as emoções da Alex como se estivéssemos lendo seu diário em tempo real. Os planos de viagem dela e seus melhores amigos Zach e Bethany para o Colorado, causa ansiedade. Cada detalhe da viagem é contado como se fosse único.
A morte da mãe, ainda na infância de Alex, enquanto fugia para o Colorado, é um mistério tanto para a personagem, quanto para o leitor. Esses fantasmas nos assombram até os últimos capítulos, fazendo com que queiramos devorar cada página de forma voraz.

E, em meio às dúvidas da adolescência, o trabalho para juntar dinheiro pra viagem, a escola e brincadeiras entre os amigos, Alex encontra Cole.

O garoto novo na escola é um astro do esporte e se apresenta como tal, com sua jaqueta de couro repleta de botons e seu jeito cheio de autoconfiança, Cole passa a ter aulas de reforço de inglês com Alex, que se encanta por ele.
Romântico e desafiador, Cole parece compreender todos os medos e as dificuldades vividas por Alex.

Aos poucos, os mistérios do garoto começam a se decifrar e ele se mostra um namorado agressivo, verbal e fisicamente. Mas Alex tenta justificar as atitudes do namorado, afinal, eles se amam, certo? Foi ela quem o tirou do sério para que ele apertasse seu pulso até aparecer um hematoma. Ele estava com ciúmes porque a ama. Ela não apareceu no treino de basquete dele, por isso Cole ficou bravo e deu um soco em seu rosto. Era sempre culpa dela.
Calma! Esse livro não tenta reforçar a ideia de que a vítima tem culpa. Pelo contrário. O fato de a narrativa ser em primeira pessoa, faz com que, à medida que a história acontece, nós vamos nos envolvendo e pensando da mesma forma que a Alex. Por alguns instantes, gostamos de Cole. Em outros, o odiamos. É uma forma de compreender quem sofre com relacionamentos abusivos.

Essa história, da forma como é narrada, ajuda a identificar atitudes do início de um namoro, que indicam futuros abusos durante o relacionamento. É também uma forma de saber como ajudar quem passa por situações semelhantes.
Ao final, Jennifer Brown ainda traz um questionário, com uma espécie de conversa com os leitores, onde podem ser identificados traços de possíveis relacionamentos abusivos.
Vale a pena conferir e se emocionar.

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