Amanda bamboleia há quatro anos e leva os objetos aos espaços públicos para empréstimo e participação da comunidade

“Vem na pegada do bambo
Do bambo, bambo
Do bambo do bambolê”
Já dizia a música do grupo É o Tchan!

Então venha você também! Porque ao contrário do que muitos pensam, não precisa ser criança para mexer e remexer os quadris – sem vergonha – com o bambolê. Segundo Amanda Bianca Santos, 23 anos, e Camila Posa, 25, fundadoras do Coletivo Órbita, que incentiva a prática do bamboleio na cidade, não há motivos contrários para aderir à técnica. “Além da relação lúdica com o aro, ao estar fazendo uma atividade e ao mesmo tempo brincando, o bamboleio também contribui para a melhora da capacidade cardiorrespiratória, fortalece os músculos abdominais e, agregado à boa alimentação e hábitos saudáveis, auxilia no emagrecimento”, afirma Amanda.

E a lista não para por aí: melhora do funcionamento intestinal, massageamento dos órgãos internos e, consequentemente, um ótimo tratamento para cólicas menstruais, conforme indica Amanda. “É uma atividade acessível para todos os corpos. Dos mais novos aos mais velhos. É facilmente adaptável para quem tem alguma limitação ou deficiência”, destaca.

O Coletivo investe no estilo de prática Hoop Dance – das diversas vertentes do bambolê-, que traz técnicas de movimentos de isolação – manuseando o bambolê com a mão-, rolamento do aro pelo corpo, lançamento para o alto e lateral, brake, giro pela cabeça e pescoço e equilíbrio.
“Também por questões patriarcais, como o rebolado feminino, a prática de bambolear acabou em desuso. E o Coletivo Órbita, idealizado por mim e pela Camila, veio exatamente para ajutar nesse resgate, envolvendo a comunidade e trazendo o bambolê para composições artísticas como a dança, na qual estou me graduando, e para o teatro, que é a área dela”, explica.

Primeiros movimentos
Quer aprender? A Amanda ensina! Segura o bambolê com as mãos por baixo do aro, gire-o rapidamente, dando impulso, e faça movimentos laterais do quadril.
Bote o peso para uma das pernas, depois para o outro, elevando e baixando o quadril.
Outra opção para aprender a manter o aro girando na cintura, é posicionar uma perna mais à frente do quadril, impulsionar o bambolê com as mãos e mexer o quadril para frente e para trás.

Para iniciantes e veteranos
A maioria das pessoas que participam das aulas, sempre ministradas ao ar livre e em espaços públicos, tem como motivos a prática e o desafio, querem se superar. “O único requisito para participar, é a certeza, em mente, de que o bambolê vai cair. Cada um tem seu tempo de evolução e aprendizado para alcançar o propósito pessoal, seja conseguir girar na cintura ou aprender as técnicas”, diz Camila.

Pensar apenas em emagrecimento, segundo a jovem, não é o caminho certo. “É viver o momento, pensar no bem-estar vivenciado. Carpe Diem. E não precisa ser coordenado. Bambolear trabalha a coordenação motora, é uma ferramenta que a beneficia. E é também um ato de resistência, de se permitir, o mais mágico de tudo é a autossuperação”, salienta.

Os aros são feitos pelas próprias meninas, em materiais como mangueira de polipro e polietileno, e há um tamanho indicado para cada fase do aprendizado.
“Porque eles têm uma resposta diferente, conforme as variáveis. Há o infantil, e os tamanhos de adulto maior e menor. O maior é indicado para iniciantes, ele é mais mole também, facilitando o movimento. E o menor e mais leve tem uma resposta imediata ao toque, sendo mais firme e indicado para quem tem objetivos técnicos”, explica. Já a altura ideal do bambolê para cada pessoa, segundo Amanda, é a que vai do chão até ao umbigo. O centro de equilíbrio de cada um.

“Como expressão artística, o bambolê está muito associado às artes circenses, e queremos atingir outros campos. Mostrar o potencial dessa expressão. A prática não tem muita visibilidade e por isso ainda está à margem.
Então é importante divulgar o objeto, torná-lo acessível, e ocupar ruas e espaços públicos”, conclui Amanda.

COMPARTILHAR

Deixe uma resposta