Assumir os cachos nem sempre é tarefa fácil em uma sociedade que impõe padrões de beleza, como o cabelo liso. E mais do que apenas estética, aceitar os fios naturais é uma questão de identidade pessoal. É um trabalho de paciência e cuidados, que traz como recompensa o sentimento de liberdade e aceitação.

Após anos alisando as mechas, a estudante de nutrição Tifany Franciele optou, há quatro anos, pela transição capilar. “Foi um processo bem difícil. Principalmente no momento que tu corta bem curtinho e as pontas permanecem lisas, o pessoal estranha muito. Ouvi muita risada e brincadeiras sobre o meu cabelo. As pessoas não perguntavam
de forma simpática, e sim de forma agressiva o que eu tinha feito, por que meu cabelo estava assim ou o que pretendia fazer com ele”, relembra.

Segundo a jovem, que é integrante do grupo montenegrino Afroatitude, foram poucos que a apoiaram na escolha. “Meu cabelo não estava definido, não ficava bonito. Então foi um momento em que eu quase desisti, mas como tinha chegado até ali, não voltaria atrás”, salienta.

Os cuidados, durante o processo? Diários, conforme relata. Massagear o couro cabeludo, usar óleos eram algumas das atenções. “Também fiz muitas texturizações nesse meio tempo, que são técnicas para mudar o formato natural do cabelo. Mas continuei simplesmente com a fitagem que é o método de passar creme e puxar o cabelo como se fosse puxar uma fita com a tesoura, de cima para baixo, até que o cacho fique definido”, informa.

Quando escolheu deixar os cabelos naturais, em 2014, além da falta de apoio de muitas pessoas e críticas maldosas, outro problema foi a falta de produtos para cabelos cacheados nas prateleiras de estabelecimentos. “Lembro de uma vez que fui para Tramandaí e não havia nenhum mercado com creme para crespo. Tive que comprar um hidratante normal para utilizar. Era bem difícil encontrar produtos focados. E no início meu cabelo deu muito mais trabalho. Eu usava muitos cremes diferentes, nossa!, fazia um rancho de produtos. Sempre hidratando, cuidando. O cabelo crespo é muito diferente do liso”, salienta.

Mas conforme o cabelo foi crescendo, a facilidade de cuidar foi acompanhando- além da certeza de não precisar reservar de 30 a 40min pela manhã para fazer chapinha. “Hoje passo qualquer creme e já consigo encontrar a definição. Sem dúvida sou muito mais feliz com meu cabelo natural. Eu redescobri um cabelo que nem sabia que tinha e nem como era o formato. E hoje é muito mais fácil e tranquilo para mim”, pontua.

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