Monalysa Alcântra recebeu a faixa das mão de outra representante negra, a paranaense Raíssa Santana, eleita em 2016, pela primeira vez. foto reprodução internet

Pelo segundo ano consecutivo, a Miss Brasil é negra. Candidata representando o Estado do Piauí, a estudante de 18 anos, Monalysa Alcântra, foi a vencedora da edição deste ano. Enfrentando outras 26 candidatas, apenas um dos jurados não concedeu seu voto a ela.
E trazendo ainda mais representatividade e empoderamento à cultura afro, a bela recebeu a faixa de outra candidata negra, vencedora do concurso em 2016: a paranaense Raíssa Santana.

Os concursos mundo afora já são conhecidos pela hegemonia branca na escolha de suas candidatas. Na história do Miss Brasil, que existe desde 1954, apenas três mulheres negras receberam o título.

Para Monalysa, maturidade e enfrentamento foram necessários para superar os obstáculos, principalmente por ser mulher negra e ter que enfrentar diversas situações de preconceito, segundo divulgação da organização do concurso.

De acordo com a estudante e integrante do grupo montenegrino Afro Atitude, Tifany Franciele, ter uma representante da beleza negra brasileira é um orgulho imenso e traz uma oportunidade de exemplo e identificação. “As pessoas negras conseguem olhar para ela, enxergarem-se ali e quererem essa identidade afro novamente. Com a Monalysa, conseguimos fazer com que as crianças queiram ser negras, assumir seus cabelos afros e voltar às suas raízes. Ela, para nós, é um exemplo maravilhoso, principalmente em um país onde 60% da população é negra ou parda e onde não vemos essas pessoas representadas”, destaca.

Tifany ainda enfatiza como essa escolha auxilia na questão da autoestima dos negros e na valorização afro. “Contribui muito na nossa luta. É onde vemos que podemos mais”, conclui.

A estudante Tifany Franciele destaca a importância da representatividade negra na figura da Miss Brasil Monalysa. Foto: arquivo pessoal Tifany

Afro Atitude
O grupo montenegrino Afro Atitude tem como luta e atribuição trazer a identidade afro, a representatividade, para crianças e adultos. “Muitas das nossas crianças não se aceitam mais, não gostam de se verem negras pela questão da aparência estética: os cabelos. As princesas são brancas e de cabelos lisos, as meninas famosas e mais bonitas da escola tem cabelo liso, então elas vão perdendo essa identidade”, conclui Tifany.

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