As mídias digitais avançam de uma forma tão rápida na vida de grande parte da população que parecem ter se tornado uma unanimidade, matando as físicas. Algumas, porém, seguem fortes na preferência do público e outras são exemplos de renascimento. A explicação vai além do puro saudosismo e alcança questões sensoriais. É que por mais práticos que os serviços de streaming sejam, eles não conseguem oferecer o toque que o vinil, os CD’s e as fitas cacetes oferecem aos fãs. Com eles, ouvir música vai muito além. O mesmo vale para os livros físicos, que seguem vendendo mais que os por downloads para leitor digital. Para quem ama ler, nada supera o cheiro de um livro e o folhear das páginas.

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Guilherme mostra um vinil do AC/DC fabricado agora, num relançamento da indústria

Para festejar o Dia Internacional do Livro, 23 de abril, o portal Tiendeo, que atua com catálogos digitais, realizou uma pesquisa de hábitos e tendências de consumo dos brasileiros em relação aos livros, físicos e digitais. Aproximadamente 55% afirmam preferir o livro físico, sendo que, desses 33% disseram só ler em papel, enquanto 22% não descartam os e-books apesar de não ser a sua mídia favorita. Já 36% afirmou combinar as opções de forma igual. Somente 12% trocou o livro físico pelo digital definitivamente. As razões para a maioria ainda preferir ler da forma tradicional está justamente em manter-se longe do digital, pelo menos numa parte do dia. Desconectar-se enquanto folheia um livro é uma das razões citadas pelos leitores.

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As vendas de vinis cresceram no último ano

Um fenômeno ainda mais interessante é percebido na música. Quando o CD chegou, imaginou-se que o vinil morreria. Ele realmente “sumiu” do mercado tradicional. Mas o CD reinou por pouco tempo, sendo suprimido pelos serviços de streaming. E no meio disso tudo ainda houve o “toca fitas”. Em 2017 veio uma novidade: cresceu a venda de vinis. Os números são do relatório da Associação das Indústrias Fonográficas da América (RIAA). Claro que ninguém espera que os vinis recuperem as vendas de décadas atrás, porém, eles ressurgiram como uma tendência mundial. No mundo, em 2017, vendeu-se 10% mais vinis que no ano anterior.

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Leitores digitais ainda não conquistaram a maioria

E não estamos falando apenas daqueles antigos, vendidos entre colecionadores. Eles estão sendo fabricados. Em 28 países há fabricação de vinil, sendo os EUA os maiores produtores, cerca de 10 milhões de unidades ao ano. No Brasil há duas fábricas que somam uma produção de 300 mil unidades. Artistas como Ed Sheeran e Liam Gallagher, lançaram LPs, assim como álbuns clássicos de nomes como Nirvana e AC/DC seguem na lista dos mais vendidos, independente do ano de lançamento. Nesse caso, além da questão do toque e das memórias há a diferença no áudio. Quem conhece, garante: o som de um LP é muito diferente. Vida longa a eles.

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Leitores digitais ainda não conquistaram a maioria. Crédito: banco de imagens

Quase 50 anos de amor pelos vinis
Contar a história de Guilherme Borba, de 51 anos, e não falar dos vinis seria impossível. Eles entraram em sua vida quando ele tinha por volta de cinco anos, com discos de história infantil. Depois vieram os de MPB, Rock, Jazz… E ele não pensa em viver longe dos LPs, mesmo que hoje exercite o desapego. De uns anos pra cá a paixão virou negócio e ele passou a comprar e vender LPs. O resultado? Hoje tem um acervo ainda maior. Tem de tudo um pouco espalhado pelas caixas, sendo comercializados por diferentes valores. O “carro chefe”? Sem dúvida são os álbuns de Rock.

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“Tenho clientes dos 10 até os 60 anos. Não tem um público exato”, revela Borba. Isso inclui quem o procura para comprar ou para desfazer-se de coleções. “Tem quem me procura para doar porque quer se desfazer. Tem lotes que eu compro. Ou garimpo em feiras”, diz Guilherme Borba.

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Ele percebe na sua loja o aumento pela procura de vinis e, também, pelas fitas. “O som analógico é diferente do MP3 ou streaming. Porque esses têm o som comprimido, deixando  o áudio diferente. Além disso, as pessoas querem ser ‘donas da mídia’, tocar, folhear a capa. Fazer o que antigamente se fazia. Isso está voltando”, conta ele. Isso, é claro, é para os apaixonados. “Quem baixava música antes, hoje usa Spotify. Não quer ser dono da mídia. Quem curte vinil é quem quer ter ele, guardar, colecionar”, conta Guilherme. Ele reconhece utilizar o melhor que cada mídia oferece.“Profissionalmente eu uso o Spotify, no carro o MP3. Mas em casa e aqui na loja é só vinil. Passo o dia escutando. Tenho preferência pelo vinil, mas não sou purista”, conta.

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O sucesso é tanto que além de álbuns contemporâneos estarem sendo lançado também no vinil, obras antigas estão sendo relançadas porque há público interessado em comprar. Guilherme mostra um desses, do AC/DC, que um amigo lhe trouxe dos EUA. “Novo, zero. Álbum antigo que foi relançado”, mostra Borba. Mas na loja é possível encontrar grande variedade de artistas, entre os LPs, muitos do Rock gaúcho. Tem LP tão disputado que torna-se difícil encontrar. “Black Sabbath é ‘pão quente’, como a gente chama. Chegou, eu anuncio que tenho e vende”, conta Guilherme Borba, o vendedor e sobretudo, o colecionador.

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