Foto: reprodução internet

“Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer
é um andar solitário entre a gente
é nunca contentar-se de contente
é um cuidar que ganha em se perder”, já eternizou o poeta Luís Vaz de Camões.

E apaixonar-se é inevitável. Primeiramente, o olhar e o sorriso que encantam… Depois os cabelos, o cheiro e o toque… E quando você cai em si, está perdidamente apaixonado. Se pega pensando na pessoa várias vezes ao dia e a vontade de vê-la é igualmente constante – e intensa. E então você não vê outra saída, a não ser passar o resto da sua vida com o ser idolatrado.

No dia 12 de junho, próxima terça-feira, é comemorado, no Brasil, o Dia dos Namorados e Namoradas. É o dia em que estão liberados textões no Facebook, marcação em fotos antigas, flores e agrados no trabalho. Também é data destinada para lembrar a quem se ama de sua importância e singularidade. De relembrar os momentos e resgatar os planos futuros.

Uma história de amor pode nascer onde menos se espera. Na escola, no trabalho, no supermercado, ou através da internet… Não há fronteiras, padrões e nem encaixes para o sentimento.

Amor que veio para colorir a vida
De olhares trocados em sala de aula, no colégio Polivalente, ao namoro que já completa quase um ano, nasceu o romance de Ísis Oliveira, 17 anos e de Emanuela Gonçalves, 19. No início, quando o coração pulsou mais forte e o interesse foi sendo descoberto, ambas eram comprometidas.

Ísis Oliveira (à esquerda), 17 anos e de Emanuela Gonçalves,
19 namoram há quase um ano e se conheceram na escola. Fotos: arquivo pessoal

“Mas no momento em que nos conhecemos, sentimos algo muito diferente do que já havíamos sentido. Com o passar dos dias foi ficando cada vez mais difícil ignorar o sentimento e acabamos terminando os relacionamentos que tínhamos pra ficarmos juntas. Desde então, temos isso como a melhor decisão”, relata Ísis.

Com companheirismo, parceria e amor cada vez mais intenso entre as duas, fortalecido pelos laços emocionais, Emanuela destaca a surpresa ao descobrir a paixão da namorada, ainda no ano passado.

“O dia em que a Ísis disse que estava apaixonada por mim, eu gelei e fiquei sem entender nada porque ela estava em outro relacionamento. Perguntei se era o que ela realmente queria, e foi quando tive a assertiva. A partir desse momento comecei a gostar mais ainda dela; meu amor só aumentou”, declara-se Emanuela.

E a data do pedido? Elas guardam muito bem na memória e coração. Foi no dia 29 de junho de 2017, 17 dias após o Dia dos Namorados. “A gente já fez algumas viagens e programas legais. Mas pra mim a melhor situação que aconteceu foi a primeira vez que eu jantei com a família da Emanuela, que até então não aceitava muito bem o nosso namoro”, pontua Ísis.

Vivendo em uma relação homoafetiva, em uma sociedade de preconceitos, as duas destacam que o mais difícil é conviver com o medo. Mãos que precisam descruzar ao passar por alguém alcoolizado e piadas escutadas com frequência são apenas algumas demonstrações de hostilidade. “Na maioria das vezes a gente ignora o que dizem. Mas, quanto ao medo, é bem difícil de ignorar. Ficamos num clima de tensão”, confidencia Ísis.

Para o futuro, planos que inclui casa, cachorro e filhos (que, segundo elas, têm até nomes escolhidos já). No presente, a certeza do amor, a convivência respeitosa e o companheirismo.

“Eu sempre digo que a Emanuela é minha menininha da caixa de lápis de cor, porque ela veio e coloriu toda a minha vida”, destaca Ísis. –“E a Isis pra mim é um anjo que veio pra me mostrar que existe sim relacionamento de companheirismo. As águas passadas foram só espinhos e como digo, ela é meu jardim perfumado e lindo. Me faz muito bem, e desde o dia em que ficamos juntas até hoje, sou mais feliz”, complementa Emanuela.

Um quebra-cabeça não se faz com peças iguais

Um racional demais, outro muito impulsivo, um com gosto musical mais para country americano, outro moda de viola e pagode. Um de humanas, outro de exatas… Parece que nem nos romances shakespearianos esse relacionamento daria certo. Mas como a vida é uma caixinha de surpresas e não há fórmulas para o amor, há seis anos Raíssa Cardozo Ceresa, 23 anos e Maurício Martins de Oliveira, 24, estão juntos. Porém, conhecem-se há nove.

Raíssa Cardozo Ceresa e Maurício Martins de Oliveira se conhecem há nove anos e namoram há seis. Fotos: arquivo pessoal

O amor, que nasceu ainda adolescente, ela com 14 e ele com 15, amadureceu e virou noivado. “Dei o meu primeiro beijo com o Maurício. Ficamos dois meses juntos e daí ele terminou o relacionamento. Eu toquei a vida, namorei outro menino por dois anos e, ao meu término, nos reencontramos. O “Mau” esperou eu ficar solteira, saímos e percebemos que ainda gostávamos muito um do outro”, conta Raíssa.

Com planta do apartamento já comprado, esperando conclusão da obra, o passo futuro é construir uma família. “O Maurício foi a única pessoa que conseguiu despertar esse desejo em mim. Quando eu tinha 12 anos, meus pais se separaram. E com isso, de certa forma, eu deixei de acreditar no amor. Convivendo esse tempo todo com ele, passei a acreditar novamente”, destaca Raíssa.

Com toda a maturidade de entender as fases do relacionamento e que é importante respeito e esforço para manter a boa convivência, a jovem frisa que é muito importante aproveitar os momentos com quem se ama.

Fotos: arquivo pessoal

“No início não tínhamos nada em comum, só gostávamos de estar juntos. E aprendemos a fazer com que nosso relacionamento desse certo apesar das diferenças. E tem uma frase que Maurício me disse uma vez e marcou muito, de que não tem como fazer um quebra-cabeça com peças iguais. Somos totalmente o oposto um do outro, mas nos completamos”, conclui.

Quase incendiando de amor
Ali Gomes Ferraz, 19 anos e Larissa Daitx Raupp, 21, estudantes de psicologia e farmácia respectivamente também descobriram o amor em sala de aula. “Meu sogro é professor de fitoquímica da Ulbra. Em uma aula prática, o Ali entrou pra falar com o pai e no segundo em que adentrou a porta, eu sabia que queria ele. Então, estava eu lá, pensando como faria para puxar assunto. Foi quando o professor me puxou pelo braço pra mostrar a tatuagem de Pokémon que tenho – que o Ali também ama”, relata Larissa.

Ali Gomes Ferraz (à esquerda), 19 anos e Larissa Daitx Raupp,
21 se conheceram na faculdade. Fotos: arquivo pessoal

Papo vai, papo vem, a estudante confessa que até esqueceu a amostra que preparava em aula, tamanho era o encanto, fazendo-a superaquecer e pegar fogo – assim como seu coração, provavelmente. “Depois que eu saí da aula, pensei comigo: filho de professor… melhor não. Mas bastou meio segundo para adicioná-lo no Facebook. Depois fui puxando assunto e convidando pra sair e a coisa fluiu”, pontua ela. Com oito meses de namoro, eles têm na bagagem da relação muitas aventuras e desventuras.

E como geralmente acontece, o casal planeja viagens, morar junto, assim como casar e ter filhos. “Nada para agora, mas pensamos bastante nisso. E acho que o momento mais fofo foi quando o Ali me pediu em namoro. Estávamos em Osório, na casa de uns amigos, e eu já estava achando que ele não ia pedir nunca. Então veio a surpresa com um unicórnio de pelúcia e doces”, relembra com carinho Larissa.

“A Larissa singnifica muito para mim, ela é minha amiga, parceira. Ela é quem me aguenta quando estou mala e me ajuda quando tenho crises. Ela é basicamente tudo”, se desmancha Ali.

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