João Pedro, Camila e Rodrigo orgulhosos com as estatuetas recebidas

Tudo o que um artista quer é que seu trabalho seja reconhecido de alguma forma. O fato é que qualquer pessoa almeja o reconhecimento do seu esforço. Na sociedade pós-moderna, a arte tem ficado em segundo plano nas ações políticas e até mesmo distante da admiração do público.

Porém, artistas continuam lutando e realizando obras para mostrar o grande papel do mundo artístico para retratar o cotidiano e destacar que a sociedade precisa respirar cultura, onde quer que as pessoas vivam. A peça “Macbeth e o Reino Sombrio – Shakespeare para Crianças”, que nasceu dentro do campus da universidade pública do Rio Grande do Sul em Montenegro, a Uergs, é um exemplo de arte democrática com reconhecimento público.

A atriz Camila Pasa, 26, e os atores João Pedro Decarli, 29, e Rodrigo Waschburger, 21, embarcaram em um trabalho de aula em que João teria que dirigir um espetáculo. Foi então que os três transformaram a linguagem de Shakespeare acessível para todos os públicos, inclusive para crianças.

Após se apresentarem em Montenegro e cidades da região, o trio se inscreveu para a ocupação da sala Álvaro Moreyra, em Porto Alegre, que rendeu a inscrição para o Prêmio Tibicuera de Teatro Infantil, organizado pela prefeitura da Capital.

“Fomos aceitos no edital e os jurados assistiram o nosso e outros espetáculos da temporada. Após a maratona de apresentações o júri escolhe os indicados para concorrer ao prêmio e, para a nossa felicidade, fomos indicados a sete categorias”, afirma João Pedro.

No total, a premiação possui 12 categorias e os alunos da Uergs venceram cinco estatuetas das sete que foram indicados, incluindo a de melhor espetáculo. A entrega ocorreu no último sábado, 6, no teatro Renascença, na cidade de Porto Alegre.

Camila foi eleita a melhor atriz, Rodrigo o melhor ator e João Pedro o melhor ator coadjuvante e melhor direção. “A premiação também é oferecida pela RBS e, por isso, como vencemos a principal categoria, teremos o nosso espetáculo gravado e veiculação do trabalho no canal”, afirma Camila, feliz com o sucesso.

Conforme os artistas, o trabalho nasceu dentro da universidade pública, mas seguiu como espetáculo independente e, agora, faz parte do Coletivo Órbita. A produção teatral traz temas que não são comuns no ambiente infantil. “A gente toca no assunto morte, vingança e tragédia e tocamos no assunto para que as crianças também saibam conviver com a perda, por exemplo”, explica Rodrigo Waschburger.

Espetáculo “Macbeth e o Reino Sombrio – Shakespeare para Crianças”
nasceu em uma aula de direção teatral, na Uergs Montenegro. Foto: Gaya Fotografia

Valorização dos artistas do interior
Para o ator e aluno de teatro Rodrigo Waschburger, a sociedade vive em tempos onde a valorização da cultura e da arte está em baixa. “Os prêmios Açorianos e Tibicuera são uma resistência a essa valorização”, afirma. João Pedro Decarli, ator formado e diretor de “Macbeth e o Reino Sombrio”, afirma que os prêmios também dizem muito sobre a Uergs, pois colocam em foco a educação recebida pelos jovens em uma universidade pública estadual, que luta para seguir existindo e formando profissionais.

Entrega dos Prêmios Tibicuera e Açorianos ocorreu em Porto Alegre no dia 6 de abril. Foto: Divulgação

Decarli também exalta que os artistas do interior passam a ser reconhecidos. “Ocorre que em alguns locais apenas a arte das grandes cidades são valorizadas, e o ator que vem do interior acaba ficando afastado, de lado. O Tibicuera impulsionou o nosso trabalho”, ressalta. Camila, única atriz do grupo e formada em teatro, diz que pra ela a estatueta representa o enfrentamento da barreira masculina e torna real e evidente a representatividade feminina.

Os premiados contam que imaginavam vencer em algumas categorias, mas a maior surpresa foi os três levarem premiações individuais por suas atuações. Agora, o grupo deseja expandir os locais de atuação e levar a peça para locais onde o público não tenha acesso a este tipo de espetáculo ou arte.

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