O teste “Qual seria a sua aparência se você fosse do gênero oposto caiu no gosto das pessoas . Fotos: reprodução internet

Ao participar da brincadeira, você pode estar fornecendo seus dados pessoais para empresas desconhecidas

é preciso cuidado ao acessar aplicativos a partir do Facebook. Dados pessoais correm risco

Muito atraentes e divertidos, os testes do Facebook se tornaram bastante populares, levando boa parte dos usuários a realisar o quiz (jogo). O que poucas pessoas sabem é que, ao participar da brincadeira, esse tipo de site se apropria de informações a respeito do internauta e, depois, esses dados pessoais são vendidos às empresas para fins lucrativos.

Atualmente, um dos testes mais conhecidos é o “Como você seria se fosse do gênero oposto?”, que mostra como a pessoa ficaria se virasse homem ou mulher, com imagens bem reis. Porém, para participar, a empresa Kueez solicita que o interessado clique em “Conectar-se ao Facebook” para ver o resultado. Ao fazer isso, o usuário permite à empresa ter acesso a uma série de informações públicas do perfil, como nome, data de nascimento, todas as fotos da rede social, lista de amigos, informação de contato como o endereço de e-mail, lugar onde nasceu, onde esteve e com quem, entre outras.

Engana-se quem pensa que a Kueez é a primeira a fazer isso. Um caso muito similar ocorrido no ano passado envolveu o teste “Com qual celebridade você se parece”, que também utilizou um aplicativo/jogo/quiz de Facebook para conseguir esses dados pessoais.

Além da invasão de privacidade, ainda há risco de infectar o equipamento utilizado para o acesso. Analista e desenvolvedor de sistemas, Antonio Gonçalves de Oliveira Junior explica o motivo. “No caso de testes ou qualquer outro site que requisita que cliquemos naquele botão azul escrito “Entrar com Facebook”, as informações cedidas podem ser utilizadas para criar e direcionar “phishing” (propagandas enganosas com intuito de pegar mais dados, como do cartão de crédito, por exemplo, ou infectar o computador do usuário com vírus)”, destaca.

Auem não se sente atraído pelos testes fica livre de um problema, como a técnica de enfermagem Luciana Cardoso, 40. Embora tenha conta na rede social, nunca participa. “Não sou muito de me expor, então essas coisas não me chamam atenção”, conta a enfermeira, que ficou surpresa ao saber da finalidade desses aplicativos.

O mercado da venda de dados lucra com as informações
Diferente do que a maioria das pessoas imagina, as redes sociais não são totalmente grátis. Cobram um valor a ser pago com a invasão de privacidade de quem as utiliza, ou seja, esse monte de informações é transformado em dinheiro.

De acordo com o desenvolvedor de sistemas, essa prática é bastante comum. “Muitas empresas se baseiam nesses dados para lançar suas campanhas”, ressalta Antonio. “Hoje qualquer um com uma página no Facebook pode ‘impulsionar’ seus posts pagando e, com isso, escolher um público alvo bem seleto. Também é possível especificar que o anúncio só vai aparecer para alguém que mora em ‘Montenegro’, que gosta de ‘Pescar’ e é fã do ‘Chaves’, por exemplo. Nesse nível de especificidade, a pessoa comum pode se utilizar dos dados fornecidos pela rede social para direcionar sua publicidade”, afirma.

Para evitar o transtorno de ter informações pessoais nas mãos de desconhecidos ou mesmo impedir que vírus se instalem em celulares e computadores, o indicado é não fazer testes. “É importante que nunca deixemos informações demais online, principalmente RG e CPF, mas qualquer informação que indique nossos gostos e estilos pode ser, e será, usada contra nós”, conclui o analista de sistemas.

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