Foto: arquivo pessoal

Somos muito barulhentos e geralmente nem percebemos. Produzimos muitos sons, seja falando, batendo objetos e portas, ligando aparelhos e motores, pisando pesado ou arrastando os pés. Nossos gestos costumam ser bruscos e rápidos que não nos permitem colocar um objeto ao invés de jogá-lo, de encostar a porta em vez de batê-la, de caminhar mais suavemente sem trincar o piso. Essa produção de tantos ruídos tem a ver com duas questões, uma consciente, o silêncio incomoda; segunda, estou refletindo fora o barulho que tem dentro, essa geralmente inconsciente. A possibilidade de silêncio é tão desconfortável para a maioria das pessoas que elas tentarão produzir qualquer tipo de som que o sobreponha. Porém, o silêncio não é só a ausência de ruídos, ele tem vida, é cheio, preenchido, completo em si mesmo, mágico e perdemos uma oportunidade incrível ao evitar entrar em contato consciente com ele. Vivemos numa sociedade que proporciona infinitas formas de sedução aos nossos sentidos (audição, paladar, visão, olfato, tato) e, através deles, ficamos conectados com o externo a maior parte do tempo, se não o tempo todo. Distraídos nessas seduções vamos nos deixando levar inconscientes pelo tempo. Distraídos e distantes de nós mesmos, distraídos e distantes da consciência de quem realmente somos. Se dentro, na nossa mente, tem muito ruído, externamente refletiremos isso. Quanto mais conhecemos nossa mente e adentramos nela, mais quieta ela vai ficando. É só na quietude interna que acessamos nossa sabedoria, não me refiro ao conhecimento adquirido e aprendido, mas à sapiência de nossa alma. No entanto, para chegar nela precisamos antes aquietar fora, diminuir os ruídos externos, especialmente os gerados por nós mesmos, reduzir a agitação do corpo e os barulhos dos pensamentos. Estar presente, sentar imóvel e respirar profunda e conscientemente é um ótimo caminho. Contemplar o silêncio, sentir-se pleno e preenchido com ele é um deslizar macio e sem ruídos para dentro, direto para um refúgio de paz e tranquilidade. Ouvir o silêncio é uma benção para ouvir a si mesmo em profundidade.

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