Entregar-se ao fluir da vida não é tão fácil como parece, as tensões são a prova.
Nosso corpo está tenso, nossa mente está tensa, nossas relações estão tensas, nossa percepção da vida está tensa, a sociedade está tensa.
Tensão é um lembrete de que o relaxamento não está presente.
Para relaxar precisamos confiar e entregar.
Confiar no fluir da vida, confiar que nada acontece sem um propósito, confiar que tudo pode trazer aprendizado.
Tendemos a querer controlar tudo, e aí fica difícil nos entregarmos sem resistência e aflições.
O convite é abrir-nos à vida e àquilo que ela nos traz sem resistência. Resistir não resolve, só traz inquietude e sofrimento, protelando a resolução da situação.
Confiar e entregar-nos não significa sermos ingênuos, passivos e sujeitos a abusos, longe disso.
E quando falamos em entrega dentro do yoga, também consideramos a entrega pelo resultado. É fazermos o nosso melhor, seja na prática de yoga, seja na vida, e entregarmos o resultado. É fazermos o nosso melhor, mesmo que esse melhor não seja suficiente para alguns, ou muitos, abrindo mão da expectativa de agradar todos.
É continuarmos fazendo o nosso melhor, mesmo que outros achem desnecessário ou besteira. É acreditarmos na vida, é acreditarmos em nós e na nossa capacidade de autosuperação.
Podemos passar a vida fazendo apenas o suficiente e com olhar apenas no resultado. Muitos de nós treinamos isso desde cedo, já na escola, quando fazíamos apenas o necessário para atingir a nota mínima, o resultado era passar; depois no trabalho, fazendo apenas o necessário que a função pedia, o objetivo era o salário; e aí levamos isso para as relações, dando apenas o suficiente, ou nem isso.
E passado um tempo olhamos para trás e vimos que erramos (isso sempre vai acontecer, pois estamos num processo contínuo de aprendizado). Se nós fizemos o nosso melhor naquela ocasião, podemos ficar mais tranquilos por termos feito o melhor que podíamos naquele momento. No entanto, se só fizemos o suficiente, pode vir uma sensação de arrependimento e/ou culpa.
Isso vale para as relações também, se só dermos o suficiente, inclusive com as pessoas queridas, quando essas se forem, viagem, separação ou morte, a nossa dor será muito maior. É dificil deixar ir, difícil entregar.
E no final dos nossos ciclos existenciais (proximidade da nossa morte ou perda de algo importante) também percebemos essa dor e nos desesperamos, pois precisaríamos de mais tempo para fazermos diferente, no entanto, dificilmente teremos esse tempo extra.
Dar o nosso melhor não significa estafar-nos para agradar, nem buscar o perfeccionismo e nem encher a pessoa com presentes e mimos, mas sim estarmos verdadeiramente presentes. É escutarmos de verdade, é olharmos no olho, é fazermos gentilezas e ajudar quando possível, é irmos além do suficiente, com qualidade de presença, mesmo que seja em pouco tempo cronológico. Sem expectativas de reconhecimento, elogios ou agradecimento.
Talvez ninguém perceba que não demos o nosso melhor, mas NÓS sabemos. O momento de darmos o nosso melhor é AGORA e em TUDO que fizermos. Ter presença em cada ação é yoga. Fazemos o NOSSO melhor porque esse é o nosso Dharma, lembrando sempre que esse “melhor” não será “suficiente” para muitos, mas mesmo assim continuamos, até que possamos fazer melhor o “nosso melhor” através de processos amorosos de autossuperação.
Quando nossa ação não visar só o resultado, mas trazer presença, perceberemos que aquele momento é a nossa vida e não só mais uma tarefa a ser executada e riscada do chek-list.
Entregar o ciclo que se encerra, entregar o fruto da ação, entregar as expectativas….Resultado? LEVEZA.
Namastê!

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