foto: reprodução internet

A vida é dinâmica, ativa, viva. Bem como movimentada, agitada, animada. E com o avanço da tecnologia a vida é publicada. As férias em família, um encontro entre amigos, um jantar, uma selfie ou até mesmo uma fotografia da paisagem são possíveis de serem lançadas nas redes sociais. Podemos publicar o que quisermos, quando quisermos e da maneira que quisermos.

Com as redes sociais o que era privado tornou-se público com a facilidade de um clique. No entanto não nos questionamos qual é o limite de publicações ou o que deveria ser público e o que deveria ser privado. Apenas publicamos, curtimos e compartilhamos o que achamos interessante. E se as conexões fossem off-line? Agiríamos da mesma maneira?

As conexões humanas deram-se ao longo dos séculos por relações afetivas, emocionais e físicas. Devido ao advento da internet, em poucos anos mudamos a maneira de nos relacionarmos com o próximo. Deixamos de preocupar-nos com os sentimentos alheios, com os valores e com a pessoa humana. Advieram as mudanças socioculturais, o crescimento individual e o declínio da comunidade. No entanto não significa que essa comunidade será extinta. Será modificada, visto que as relações sociais estão sendo reconstruídas com base em interesses individuais, valores e projetos próprios.

As evoluções tecnológicas ocorridas nos proporcionaram vivenciar menos comunidades pessoais e mais comunidades virtuais. Estamos distantes de quem é próximo de nós e próximos de quem está distante de nós. Publicamos nossa vida e nossos sentimentos para nossos amigos virtuais. No momento que interagimos com amigos reais, as novidades já foram publicadas. Com essas mudanças perdemos a valorização dos mais íntimos e nivelamos todos igualmente.

É imprescindível mantermos relacionamentos íntimos, próximos e pessoais. Estamos substituindo a configuração das relações humanas que foram construídas ao longo da evolução. Estamos modificando para sempre o modo como nos relacionamos. Contudo, o futuro está em nossas mãos. Podemos viver um equilíbrio entre o público e o privado, entre o que é publicado e o que é íntimo. Cabe a nós discernimento para escolhermos o que publicar, quando publicar e a maneira de publicar. Um verdadeiro equilíbrio entre vida publicada e vida íntima.

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