Foto: reprodução internet

Que tal viajar no tempo, com um romance de escrita leve, mas que retrata nossa história de forma crua e corajosa? A indicação de livro dessa vez é Sinhá Moça. O clássico já virou novela e, posso garantir que, mesmo que você já tenha assistido ao folhetim, a obra não deixará de te emocionar.
Sinhá Moça foi escrito em 1950 por Maria Dezonne Pacheco Fernandes. A história toda acontece em 1886, às vésperas da Lei Áurea, que deu liberdade aos escravos. O cenário é uma fazenda em Araruna, no interior paulista.

A história principal gira em torno de Sinhá-Moça, filha do coronel Ferreira, barão de Araruna e escravocrata. A moça apaixona-se pelo recém-chegado advogado Rodolfo Fontes, militante abolicionista e republicano. Ele havia estudado na capital, onde teve contato com esses ideais.

Sinhá-Moça, uma jovem inocente do interior, e que sempre viveu entre escravos, encanta-se com a idéia de que todos são iguais. Mas ela vive em uma sociedade em que o negro não é considerado igual e as cenas de castigos são descritas com detalhes, desnudando a crueldade do período no nosso país e fazendo com que o leitor sinta a dor de cada chibatada. Ela, que desde a infância teve a figura de Rafael, um escravo mestiço, como seu melhor amigo, enfrenta o pai por diversas vezes, na tentativa de defender os negros da fazenda.

Ela conhece Rodolfo quando está voltando a Araruna, após concluir seus estudos, o advogado, abolicionista, usa uma máscara para suas missões de libertação dos escravos. A máscara, permite que ele não seja reconhecido e minta ao Barão, fazendo-o acreditar que o jovem era monarquista e escravocrata. Isso o faz aproximar-se de Sinhá-Moça. Ele a corteja e ela não sabe que o mascarado é o seu amado. A descoberta desse segredo desperta a ira do Barão.

O enredo ainda conta com personagens muito característicos como um delegado que se acovarda diante dos figurões da sociedade, um feitor cruel e um médico humanitário, traçando várias nuances de uma época fundamental para a história brasileira.

O protagonismo do romance proibido entre o casal poderia tornar a história só mais uma entre tantas. Mas a obra de Maria Dezonne se destaca pela abordagem histórica da escravidão, algo até então muito raro. Isso torna o livro e, posteriormente, o filme e a novela, construções muito valiosas, mas com um apelo popular que permite a todos ter acesso a alguns fatos históricos, como a transição da lavoura de café que usava a mão -de – obra escrava e a chegada dos primeiros imigrantes vindo da Europa para subistituí-los. Mesmo sendo escrita em 1950, com uma linguagem de época e um fundo histórico denso, a leitura não é cansativa. É intrigante, gostosa e inspiradora.

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